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Blog EntryJan 14, '09 4:13 AM
for everyone

Desenho de Cláudio Partes


Hoje acordei com vontade de dizer que tenho saudades do teu abraço, dos teus lábios macios, tocando levemente os meus, das tuas mãos acariciando a minha nuca, deslizando suavemente pelo decote do meu seio.

Ah… o sonho… a facilidade de tornarmos tão real pensamentos íntimos que nem a nós próprios queremos, por vezes, confessar.

Gosto de imaginar a tocares-me e, tímida, afasto-te, mas ao mesmo tempo, o fogo do teu corpo encostado ao meu, abre em mim desejos que não quero olvidar.

Recordo os teus olhos, malandros, plenos de vida e carícias; deixo-me afundar, em sonhos, neles…

Existe vida para além dos muros de silêncio em que te encerras”, digo a mim própria, em determinadas alturas, quando me sinto sufocar nas quatro paredes da gaiola de ouro onde me confino diariamente.

Olho o meu corpo, carregado de desejos e ternuras; sinto-me em metempsicose, como que, numa outra vida, a viver aquilo que me está vedado…

O meu pensamento vagueia no infinito: pode uma mulher anular dentro de si o apelo da natureza ou deixa que a explosão dos seus sentidos possa quebrar e banir padrões tradicionalmente impostos?

Valerá a pena o sacrifico de deixar morrer o seu corpo, carente de afectos e desejos, incapaz de conseguir quebrar esses mesmos padrões que lhe impuseram?

Dentro da minha alma o sonho permanece … fogo, suor, caminhos por desvendar. 

Nas tuas mãos me entrego. Juntos encetamos a viagem a todo o universo, meu coração e corpo conjugam o verbo amar, em todos os tempos…

Dizer da palavra amar,
falar dos sentidos da alma,
dos desejos avassaladores,
das noites mal dormidas,
acalentando sonhos por realizar.

Dizer da palavra tempo
que não existe
na nossa memória,
oscilando, suavemente,
à brisa do entardecer,
por entre almíscares
que se colam na nossa pele.

Dentro de mim
há um espaço para voar,
que emerge do oceano
dos sentidos e flutua,
na consistência do ser.

Porque o sonho dura
apenas um instante…


joaobatistalago wrote on Jan 14, '09, edited on Jan 14, '09
Dizer da palavra amar,
falar dos sentidos da alma,
dos desejos avassaladores,
das noites mal dormidas,
acalentando sonhos por realizar.


Dizer da palavra tempo
que não existe
na nossa memória,
oscilando, suavemente,
à brisa do entardecer,
por entre almíscares
que se colam na nossa pele.


Dentro de mim
há um espaço para voar,
que emerge do oceano
dos sentidos e flutua,
na consistência do ser.


Porque o sonho dura
apenas um instante…
Um poema autenticamente surracionalista!
A dramaticidade do "instante", aos meus olhos, principal conotativo do discursivo deste poema, é de uma força excepcional. O "instante" é a única realidade do "Sujeito" que encerra o "tempo". Ou seja, me apropriando das palavras de Gaston Bachelard, "o instante é já a solidão...É a solidão em seu valor metafísico mais despojado. Mas uma solidão de ordem mais sentimental confirma o trágico isolamento do instante: por uma espécie de violência criadora, o tempo limitado ao instante nos isola não apenas dos outros, mas também de nós mesmo, já que rompe nosso passado mais dileto". E, se procurarmos entender e nos aprofundar um pouco mais neste poema, chegamos à nítida conclusão do seu contexto dramático: a "consistência do ser", ou seja, o tempo real abduzido pela realidade do instante que, ao fim e ao cabo, é o único real de todo sentimento do ser. Mas há uma outra coisa que (também) me atrai neste poema, qual seja, um certo "quê" ontológico que encorpa a idéia do descontínuo: "a palavra tempo/ que não existe/ na nossa memória", mas que se "colam na nossa pele". É exatamente neste "instante" mágico que a poetisa, de forma dramática, sugere a temporalidade (real) do instante, que é não mais que uma "consistência" da realidade de ser.
Belíssimo poema!
Parabéns.
João Batista do Lago
isabelf1 wrote on Jan 14, '09
sensacional ...
o texto ...
o poema ...
o desenho ....


simplesmente adorei.

beijinhos
isabel
rosabrava1 wrote on Jan 16, '09, edited on Jan 16, '09
Um poema autenticamente surracionalista!
A dramaticidade do "instante", aos meus olhos, principal conotativo do discursivo deste poema, é de uma força excepcional. O "instante" é a única realidade do "Sujeito" que encerra o "tempo". Ou seja, me apropriando das palavras de Gaston Bachelard, "o instante é já a solidão...É a solidão em seu valor metafísico mais despojado. Mas uma solidão de ordem mais sentimental confirma o trágico isolamento do instante: por uma espécie de violência criadora, o tempo limitado ao instante nos isola não apenas dos outros, mas também de nós mesmo, já que rompe nosso passado mais dileto". E, se procurarmos entender e nos aprofundar um pouco mais neste poema, chegamos à nítida conclusão do seu contexto dramático: a "consistência do ser", ou seja, o tempo real abduzido pela realidade do instante que, ao fim e ao cabo, é o único real de todo sentimento do ser. Mas há uma outra coisa que (também) me atrai neste poema, qual seja, um certo "quê" ontológico que encorpa a idéia do descontínuo: "a palavra tempo/ que não existe/ na nossa memória", mas que se "colam na nossa pele". É exatamente neste "instante" mágico que a poetisa, de forma dramática, sugere a temporalidade (real) do instante, que é não mais que uma "consistência" da realidade de ser.
Belíssimo poema!
Parabéns.
João Batista do Lago
Sinceramente fiquei sem palavras ao ler este comentário, meu querido Poeta... e muito grata e sensibilizada fiquei pela sua apreciação que foi um privilégio para mim.

Um beijo no seu coração cheio de ternura

Otília Martel
rosabrava1 wrote on Jan 16, '09
sensacional ...
o texto ...
o poema ...
o desenho ....


simplesmente adorei.

beijinhos
isabel
Isabel fico sempre tão feliz quando apreciam as minhas palavras e escolhas de imagens. É um pouco de mim que vos ofereço.

Um grande beijo cheio de carinho minha querida ;))
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